Independência ou… boa sorte!

7 set

Hoje é dia 7 de setembro de 2011 e hoje faz exatamente 189 anos que nós declaramos nossa inútil independência. Hoje também, aqui em Brasília, é a Marcha Contra a Corrupção, que nada mais é do que um bando de burguês lutando por um causa elitizada e achando que vão fazer alguma diferença. Desculpe-me a todos os envolvidos na Marcha, mas essa é a realidade, admitam. Concordo que a causa é super justa e correta. Bom, seria se os brasileiros fôssemos justos e corretos. É muito fácil ser contra os 4 meses por ano que o brasileiro paga só de imposto quando mora-se em uma casa confortável, tem-se carro(s) na garagem, estuda-se em escola/faculdade particular… Acho que eu deveria ir nessa Marcha somente pra contar quantos tênis de marca verei lá, quantos “jacarezinhos” estampados nas blusas, quantos meninos e meninas de ótima aparência por conta da boa vida que levam.

Obviamente que não estou me excluindo da classe burguesa desse país e nem dando uma de pobre e oprimida. Só acho que nós, a elite, devíamos nos tocar e cair na real de que nada adiantará fazer esse furdunço contra a corrupção. E sabe por quê? Por que a corrupção é muito nossa, a corrupção está dentro de cada um de nós, por mais que digamos que somos honestos. Admitamos que na primeira oportunidade que temos, passamos por cima das pessoas, tiramos vantagem de uma situação, damos o nosso “jeitinho brasileiro”. Admitamos mais: se fôssemos nós lá nos lugares dos políticos, ganhando os rios de dinheiro que eles ganham, se estaríamos preocupados com o “povão”, se estaríamos preocupados com um bando de jovens gritando nas ruas coisas, aparentemente, sem sentido.

É tão fácil sair gritando “abaixo à corrupção” quando se é corrupto consigo mesmo, com seus próprios preceitos, princípios e ideologias. O fato é que essa é uma causa perdida e entrar no ringue já sabendo que irá perder a luta é, no mínimo, burrice. E tudo isso pra quê? Pra dizer depois “eu fiz a minha parte”? Muito bom, palmas pra você… desculpe, como era seu nome mesmo? A verdade é que no cenário atual do Brasil não há mais espaço para essas revoluções engajadas. O tempo dos “Caras Pintadas” e das “Diretas Já!” já passou e nunca teremos a mesma força e nem o mesmo impacto que eles, até porque o contexto histórico é outro. E enquanto vocês tiverem lá queimando a cabeça debaixo do sol escaldante, os políticos estarão em casa, no ar-condicionado, apontando pra TV rindo e se perguntando “esses moleques realmente acham que isso vai fazer alguma diferença?”.

Pode parecer que eu já desisti do meu país, que não sou patriota, mas não. Só um verdadeiro patriota sabe reconhecer o verdadeiro país que mora, com toda sua podridão e, mesmo assim, amá-lo. Eu amo o Brasil, mas me desculpem, não sou hipócrita. Não sou hipócrita a ponto de lutar por causas perdidas, não sou hipócrita ao ponto de colocar a culpa naqueles que estão nos representando como se eu fosse totalmente isenta de culpa. Eles só traduzem o que nós verdadeiramente somos, só são a projeção da nossa sociedade. É como dizem, o povo tem os governantes que merece.

Quisera o pobre poder sequer pensar em fazer parte dessas revoltazinhas. Quisera ele ter tempo de sair às ruas gritando besteiras, mas não, ele só consegue se preocupar se terá dinheiro pra comprar comida para os filhos, pra pagar o aluguel e os zilhões de impostos que nosso querido governo cobra. O pobre tem consciência que esses impostos são abusivos, mas não tem tempo, nem saúde, nem condição econômica, nem prestígio, nem importância e nem garganta pra dizer isso em voz alta. Quem se preocupa com essas coisas é o rico. O rico que se descabela com esses vários impostos, o rico que se desespera com a corrupção, porque sabe que é o dinheiro dele que está sendo roubado e não aquele mísero centavo do pobre. Então o que o rico faz? Dá uma de rebelde sem causa, se revolta, compra apito, pinta a cara, escreve cartazes e cospe na cara da sociedade que tá cansado de ser extorquido. Passada a euforia, ele volta pra casa correndo só pra poder se assistir na sua TV de LED de 42 polegadas.

Posso ser pessimista e até derrotista, mas sou realista e sei que daqui há dois dias ninguém se lembrará dessa Marcha, muito menos do objetivo dela. Lembre-se do que disse o poeta: “aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro”.

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