Digressões.

6 out

Ah se eu pudesse… Ah se eu pudesse expressar os meus mais loucos devaneios, os meus mais íntimos anseios e os meus mais bobos receios. Como eu queria que o mundo me ouvisse, que o céu se abrisse e que eu pudesse divagar sobre minhas tolices.

Eu quero falar. Não. Eu quero gritar e quero vomitar as verdades na cara de quem merece ouvi-las. Que verdades são essas? Quem sou eu? Quem é você? Quem somos nós?

Como eu queria, mesmo que por poucos segundos, que as engrenagens que movem a intricada máquina da mente pudessem contemplar-nos com a chave do desvendamento de seu segredo. Ah! Quão sublime é o pensar. Caminhos tortuosos que são percorridos numa fração de segundo.

Eu queria, mesmo que por um átimo, expressar-me da maneira mais eloquente possível, que as palavras pululassem na minha mente como gotas reflexas que desenham aleatoriamente formas abstratas sobre a superfície outrora calma de um rio. Eu queria, ah! Eu queria que a minha voz fosse estrondosa e reverberasse nos ouvidos do que estão latentes por um grito que seja capaz de despertar os mais verdadeiros engajamentos, em prol de todos e de ninguém, de tudo e de nada.

Eu queria, mesmo que por um piscar de olhos, ter uma única e simples oportunidade de penetrar em cada mente que é por ora vivente e, assim, quem sabe, dizê-los que a moral fede, que a sinceridade é uma mera autoafirmação dos débeis e que a sanidade não passa de um cancro purulento ao qual os poderosos não permitem a cicatrização.

Eu quero ser mais visceral. Eu quero que cada sentimento surja das minhas entranhas e que ao surgir, dilacerem e arranquem cada órgão, para então abrir passagem como um demônio exorcizado.

Enquanto escrevo queria que o tempo parasse, o mundo inteiro mudasse e que uma nova ideia surgisse. Então ela pairaria no ar, leve como uma pluma, cândida, pronta pra despedaçar-se no mais leve toque.

Mudei de ideia. Mudei. Não quero planos, não quero mais danos ao que ainda posso chamar de consciência. O desejo mais inquietante do momento é encontrar as palavras certas para, finalmente, pôr fim a esse louco e delirante projeto de texto. Mas porque tudo tem que ter um fim? O fim é só mais um mero conceito, mas que terá aqui todo o meu respeito.

Uma resposta para “Digressões.”

  1. Luilton 10/15/2010 às 23:02 #

    Olha, ainda bem que a gente não consegue tudo que quer nessa vida. Seria o caos.

    Um abraço, @AnonimoFamoso. ;)

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